Quem guarda arrependimento pode ficar doente e travar a vida; saiba superar
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| Imagem: iStock |
Resumo da notícia
- Quem fica se lamentando pelas experiências ruins corre o risco de desenvolver doenças físicas e psíquicas
- Sentir culpa pelo que aconteceu faz muita gente se punir
- Os arrependimentos servem para pensar melhor antes de tomar decisões.
Você já imaginou se sempre que algo não desse certo fosse possível voltar no tempo e fazer tudo diferente? Escolher outra pessoa para casar, seguir a verdadeira vocação, ter filhos, conviver mais com os amigos, sair da zona de conforto, evitar brigas desnecessárias, pedir perdão na hora certa, se dedicar mais à família, aproveitar os momentos importantes da vida.
Quando fazemos uma escolha, temos a convicção de que ela é a melhor opção entre todas as que estão na nossa frente. Mas se as coisas não acontecem como esperamos, essa certeza é substituída pelo desejo de ter uma segunda chance para mudar o que deu errado ou nos fez sofrer.
Como isso é impossível, muita gente passa a vida sem se perdoar. "Há pessoas que carregam por anos a fio marcas de tudo o que fizeram. Sentem que agiram errado, vão tendo remorsos e tudo vira arrependimento", diz Dorli Kamkhagi, psicóloga e gerontóloga do Laboratório de Neurociências do IPq (Instituto de Psiquiatria) da USP (Universidade de São Paulo).
De acordo com a especialista, quem guarda arrependimentos pode ficar doente. A pessoa fica amarga, cheia de mágoas e com raiva de si mesma. O alto nível de estresse causado por esse estado emocional é um gatilho para desenvolver doenças psíquicas e físicas como a síndrome da fadiga crônica, medo crônico, fobias e até tumores.
Sofrer pelo que passou não é frescura Ah! Se arrependimento matasse... Quem nunca disse essa frase? Não mata, como diz a expressão popular, mas pode levar a pessoa a viver um luto. Fabio Malcher, professor de psicologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), se baseia no ensaio Luto e Melancolia, de Sigmund Freud, pai da psicanálise, para explicar como ocorre esse processo.
"De modo geral, o primeiro movimento do luto é reinvestir no objeto perdido (um emprego, uma relação amorosa, uma parte do corpo). A pessoa sofre, chora e pensa naquilo o dia inteiro. Com o tempo, vai se desprendendo daquele objeto, mas algum investimento resta nele". Isso seria o natural, mas nem sempre é o que acontece. Em alguns casos, a pessoa fica presa no luto indefinidamente.
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