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Robôs podem estar por trás do Jogo da Baleia Azul, afirma especialista

a-baleia-azulEmpresa vê como possível que "bots sociais", baseados em computação cognitiva, estejam agindo em lugar dos supostos "gurus" humanos que comandariam os "desafios suicidas"
O Jogo da Baleia azul, que tem causado grande comoção nas redes sociais e muita repercussão na mídia, está tendo fortemente questionado o seu verdadeiro efeito sobre uma suposta onda de ações suicidas, ainda não esclarecidas. Grupos de pesquisadores e jornalistas internacionais de sites "tira prova" defendem que a ligação do Baleia Azul com o suicídio de jovens não passa de uma lenda urbana que, por retroalimentação, acabou funcionando como fator de crescente popularização do jogo.
No Brasil, o fenômeno é recente, mas já foram relatadas diversas suspeitas, ainda em investigação, incluindo supostas tentativas de suicídio e uma suposta morte por overdose de medicamentos em Minas Gerais.
Como lendas urbanas modernas, a história se alastra rapidamente e tem em seu enredo vários clichês dignos de séries de terror tipo "B". Entretanto, parece que a trilha inventada pode estar servindo de inspiração para ações reais, com mortes e mutilações, mesmo que isoladas.
Um ponto ainda não comprovado é se há ou não a participação de pessoas se utilizando da história para induzir outras pessoas a cometerem suicídio. Mas, independentemente da veracidade do esquema, resta avaliar o alto poder de dano pessoal e letalidade potencialmente revelado pelo modelo da Baleia Azul.
Imaginemos que o "curador" do jogo, a pessoa que envia as mensagens, fosse, ao invés de um humano, uma inteligência artificial agindo a partir de um "chatbot". Os chatbots ou, simplesmente, bots são uma emergente modalidade de código robotizado capaz de se comunicar em redes sociais emulando indivíduos humanos com alto nível de verossimilhança.
Considerando-se esta hipótese do uso de robôs, o episódio Baleia Azul estaria inaugurando uma nova era dos incidentes de segurança, com ataques de engenharia social em massa que afetam de forma direta e altamente impactante o comportamento do usuário.
De acordo com Thiago Zaninotti, CTO da Aker N-Stalker, o padrão de comunicação interativa implementado pelo modelo do Blue Whale, é perfeitamente compatível com os atuais bots, baseados em princípios de computação cognitiva.
"Em geral, os bots sociais, utilizados para finalidades criminosas ou lícitas, dispõem de recursos poderosos de autoaprendizado e são movidos por algoritmos de engenharia social que, embora relativamente sofisticados, estão se tornando cada vez mais corriqueiros nas estratégias de atração e engajamento de vítimas por parte do cibercrime", comenta Zaninotti.
Rodrigo Fragola, CEO da Aker, explica que "o jogo da Baleia Azul está assentado em um menu fixo de "50 desafios" que cada usuário deve obedecer, em uma ordem igualmente repetitiva, e em um conjunto limitado de atividades recorrentes. Os tais desafios 'assustadores' desse game são, tecnicamente falando, ações de baixa complexidade, como se cortar com uma lâmina, assistir a um filme de terror ou fazer voto de silêncio por um dia, até culminar na proposta do ato suicida.
"Para efeitos de comunicação verbal, tudo isto compreende um número pequeno de variáveis, passíveis de serem semanticamente mapeadas em esquemas de ação e reação bastante restritivos", afirma Fragola.
Segundo ele, a criação de um chatbot para as finalidades propostas pelo Baleia Azul seria algo tão simples e banal quanto implementar um assistente robótico para apoiar a venda de passagens aéreas ou para sugerir modelos de calçados adequados ao estilo de um consumidor previamente perfilado por engenharia social.
Na visão do CEO da Aker, existe, portanto, uma considerável possibilidade de haver bots no lugar de "gurus humanos" orientando os usuários do game, o que os remeteria a um cenário assustador. "Caso se confirme a hipótese, teremos na sociedade global uma combinação explosiva de robotização das relações sociais associada a um grande potencial de epidemias psicóticas.
"Unindo-se esta tecnologia de bots com as de realidade aumentada e a virtualização progressiva da experiência, podemos chegar a um ambiente social com potencial destrutivo enorme", comenta Fragola.
Desde o aparecimento do Blue Whale, há mais de dois anos, apenas uma única pessoa (um romeno de 21 anos) foi até agora identificado e preso sob a acusação de agir como curador. Mesmo existindo esse suspeito, seu julgamento vem sendo sistematicamente adiado por falta de provas cabais de seu envolvimento, segundo reportam fontes como a ONG NetFamillyNews e a entidade SafeNet da Bulgária.

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